A investigação de um quadro de Dor Pélvica Crônica (DPC) pode demandar uma série de exames e procedimentos, muitos deles de caráter invasivo que permitem não somente o diagnóstico da CAUSA da dor mas também o seu tratamento. Nesta linha de procedimentos, encontramos a LAPAROSCOPIA e a HISTEROSCOPIA.
A LAPAROSCOPIA é um procedimento cirúrgico que consiste na colocação de uma óptica dentro da cavidade abdominal através de uma pequena incisão na região do umbigo. O médico olha a cavidade através de uma câmera que transmite a imagem para um monitor e decide a melhor conduta dependendo os achados no intra-operatório. Duas ou mais punções acessórias são realizadas na parte inferior do abdome para colocação de pinças e instrumentos que permitem o ato operatório. Este procedimento é realizado em hospital, sob anestesia geral com entubação. Para melhor visualização da pelve, o médico usa um gás ( CO2) para distender a cavidade abdominal durante o procedimento.
Dentre as várias causas de DPC, a endometriose é destaque pela sua alta prevalência nesta população ( 50% das mulheres que tem DPC tem endometriose). A laparoscopia é o procedimento "padrão-ouro" para o diagnóstico desta doença. Além do diagnóstico, a doença é estadiada dependendo da sua extensão e profundidade em: doença mínima, leve, moderada e severa. O tratamento vai depender também do desejo reprodutivo da mulher, e pode incluir a destruição dos focos de endometriose superficiais com bisturi elétrico, a excisão das lesões profundas, como os endometriomas ovarianos e lesões de septo-retovaginal e a lise das aderências, buscando restituir a anatomia normal da pelve.
Outras doenças que podem ser tratadas na laparoscopia são as aderências pélvicas densas que envolvem alças intestinais ( são o único tipo de aderência que os estudos mostram benefício ao serem desfeitas), o tratamento de miomas uterinos e a retirada de massas pélvicas ( cistos ovarianos, pseudocistos peritoneais, hidrossalpinges).
Após o procedimento a paciente normalmente vai para casa no mesmo dia e a recuperação ocorre em 7 a 15 dias, dependendo da extensão da cirurgia, período em que a paciente volta às suas atividades habituais.
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| Punções realizadas no abdome na laparoscopia |
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| Instrumentos inseridos no abdome da paciente |
A HISTEROSCOPIA é um procedimento diagnóstico e cirúrgico no qual insere-se uma óptica dentro da cavidade uterina através da vagina e colo do útero, sem necessidade de cortes. A cavidade é distendida com gás ( CO2) ou líquido ( soro fisiológico). Além de visibilizar a anatomia da cavidade uterina, pode-se diagnosticar algumas doenças como pólipos, miomas e mal-formações uterinas que, eventualmente, podem causar DPC. Pode-se também diagnosticar lesões no endométrio, como câncer, hiperplasias e infecções ( endometrites). Além do diagnóstico visual, podemos realizar a biópsia da lesão e até mesmo a sua retirada completa (histeroscopia cirúrgica).
Na histeroscopia cirúrgica, o colo do útero é dilatado e inserimos um instrumento chamado ressectoscópio, que consiste em uma alça de bisturi elétrico que "fatia" a lesão, permitindo a sua retirada. Neste procedimento, utilizamos um líquido para distender a cavidade endometrial, permitindo uma melhor visibilização. Este meio líquido precisa ter sua absorção pelo corpo controlada para evitar complicações como edema pulmonar e edema cerebral, eventos estes muito raros.
A histeroscopia diagnóstica pode ser feita com ou sem sedação; a histeroscopia cirúrgica é realizada com sedação ou raquianestesia. Normalmente a paciente vai para casa no mesmo dia e se recupera em 7 a 10 dias, exceto para os procedimentos diagnósticos, que permitem a paciente retomar as atividades no dia seguinte.
| Cavidade normal |
| mioma submucoso |
| polipo endometrial |
Estes procedimentos não são necessariamente indicados em todos os casos de DPC, uma vez que são invasivos e tem riscos de complicações, apesar de baixos. Somente o médico pode, em conjunto com a paciente, decidir os benefícios e riscos do procedimento e indicá-lo com mais segurança.





